Cuidados dentários têm plano até 2020
O Onze de Setembro não foi apenas o dia em que se lembrou o atentado das torres gémeas. Num contexto mais ligado à nossa atividade profissional, assinalou-se o Dia Mundial da Saúde Oral.
O dia foi aproveitado para a divulgação de um documento internacional sobre os desafios que se colocam à saúde oral dos cidadãos.
Soube-se que em Portugal existe um médico dentista por milhar e meio de habitantes. Mais concretamente, para cada 1503 habitantes há um médico dentista capaz de prestar cuidados de saúde oral.
Pena que os Portugueses não tenha um acesso privilegiado a estes profissionais, e tenham que contratar seguros dentários para poderem usufruir dos seus cuidados e intervenção.
A Ordem dos Médicos Dentistas publicitou a propósito, como já referimos acima, o documento Visão 2020, resultado do trabalho de especialistas internacionais em medicina dentária e que estabelece o ano de 2020 como o prazo limite para a implantação de um novo modelo de cuidados de saúde oral.
O Visão 2020 realça as gritantes desigualdades existentes no acesso aos cuidados de saúde dentários, atestando que apenas 60% da população a nível mundial goza de acesso a cuidados de saúde adequados.
A Eslováquia sai muito bem na fotografia, ao ser apontada como a nação onde os cuidados de saúde oral estão mas difundidos entre a população, nada mais nada menos que 94.3% têm acesso a estes cuidados.
No extremo oposto está o Burkina Faso com apenas 21.2% de abrangência dos cuidados dentários.
A Croácia também aparece mencionada favoravelmente, pois é o país com maior densidade de médicos dentistas qualificados – um médico dentista para cada 560 Croatas.
A Etiópia está nos antípodas desse recorde, ao registar 1278446 habitantes para cada médico dentista.
Na generalidade dos países e regiões, o Visão 2020 constata que os adultos mais favorecidos têm um maior acesso aos cuidados dentários, comparativamente com os menos favorecidos.
Estas e outras desigualdades parecem ter causas distintas. Desigual distribuição geográfica de profissionais qualificados a nível mundial e mesmo dentro dos próprios países; incapacidade de custear tratamentos orais em segmentos específicos da população.
Doenças Orais
A cárie dentária, as doenças periodontais e o cancro oral, enquanto consideradas e agrupadas sob a designação única de doença oral, constituem a quarta doença mais onerosa em termos de tratamento a nível mundial.
Realidade dura de perceber, quando esta será a doença de mais fácil prevenção.
O documento com a visão da medicina dentária até 2020 estabelece cinco prioridades para um modelo que se pretende mais justo e eficaz: (1) dar resposta à progressiva necessidade e demanda de cuidados de saúde oral, (2) ampliar o papel dos profissionais de saúde oral, (3) implementar um modelo educacional, (4) amenizar os impactos da dinâmica socioeconómica e finalmente, (5) investir na promoção da investigação e da tecnologia neste domínio.